sábado, 6 de maio de 2017

06 de maio de 2017 - 1 ano da Pitiriase Rosea

Um ano depois da minha crise, não tive mais sinais da doença. As manchas já se foram todas, e o que ficou foi a lembrança e uma pontinha de medo de... "E se ela voltar?"

Assim fui do ódio ao amor com a Pitiriase Rosea.

Ódio por ter passado pelo que passei e muitas vezes não ser compreendida. Não se dá atestado para uma pessoa que está se coçando, afinal não estou com dor. Ódio por não ter dado um intervalo no trabalho, pedido umas duas semanas de férias ou algo assim para tentar me recuperar da coceira sem fim com mais calma e tranquilidade, tudo pela pressão do serviço, de ter demasiada tarefa pra concluir. Ódio por ver dentro de mim um sentimento tão ruim... por muitas vezes pedi sabedoria para não pedir demais...eu com uma coceira, que me deixou com o corpo em alto-relevo e me fez sentir enojada de mim mesma, disso sim tive muita tristeza, por me sentir daquele jeito, quando há tanta gente no mundo passando por problemas maiores, por problemas crônicos, eternos...
Ódio, que é uma palavra tão forte, e que me parece exagerada mas que nos é capaz de fazer enxergar o outro lado da moeda, que me fez parar de reclamar e começar a agradecer.

E, ao começar a agradecer fui ao amor. Por entender que nosso corpo está sempre gritando e nos dando sinais de que nem tudo está bem. A doença pode até não estar relacionada ao estresse, mas eu acho que no meu caso, ela surgiu devido à série de fatores e acontecimentos.
1 - sou uma pessoa que por si só tem imunidade baixa. Tenho crises de herpes tipo 2 desde que me entendo por gente, média de 1 a 2 meses por mês. Algumas das pesquisas da Pitiriase Rosea associam a doença com algum tipo de herpes, acho que o da catapora e eu tive catapora (pasmem) 2 vezes na vida, era criança mas lembro que foi um caso comentado com os familiares e pediatra.
2 - o início da doença veio bem no fim de abril com início de maio, quando notei a mancha mãe. Poucos meses antes, acho que em fevereiro, fiz um tratamento com antibiótico para sinusite, e já li artigos que associam a crise da doença com uso recente de antibióticos.
3 - estava completamente sobrecarregada de trabalho e isso só faz a imunidade da gente piorar
4 - me alimentando mal e me exercitando pouco.

No meio do tratamento da doença, quando parei de sentir as coceiras (aproximadamente 1 mes e 10 dias desde o começo), decidi mudar meu estilo de vida como um todo.
Passei a não me matar de tanto trabalhar (a carga de trabalho era a mesma ou até pior, mas parei de me desgastar emocionalmente por conta do trabalho, passei a não me doar por inteira ao lado profissional, me esquecendo dos demais lados).
Comecei a seguir um plano nutricional com uma profissional excelente, coloquei como rotina diária a prática da atividade física (mesmo que em alguns dias não tenha tanto tempo disponível) e tentei pegar mais leve comigo mesma, não me importar tanto com coisas banais e seguir a vida com mais tranquilidade.
Mantive o calmante natural por bastante tempo e ainda mantenho sempre em casa, quando sinto que estou mais nervosa, tomo um, porém entendi que preciso liberar endorfina para me sentir mais tranquila e por isso dou hoje mais prioridade na atividade física.

Outra coisa que não deixei de fazer foi me hidratar sempre, hoje passo hidratante com bem mais frequência do que antigamente, e venho lutando contra minha herpes que me atacava mensalmente ou até mesmo 2x por mês, venho testando alguns tratamentos e acredito que vou vencer essa batalha colocando-a para dormir por mais tempo.

Ainda me pego no espelho, procurando manchas e sempre que coço aqui ou ali eu olho para o que estou coçando para ver se não é algo anormal. Acho que vou seguir fazendo isso por bons anos da minha vida, mas agradeço. Agradeço pelo que passei, pelo quanto evolui com isso, pelo meu corpo ter tentado tantas vezes me dar sinais de que precisava de mudanças, pela vida que levo e pelas pessoas que tenho comigo ao meu lado, como meu marido que muito me ajudou a vencer essa etapa e sempre ajuda.

Espero que de alguma forma eu contribua e esclareça alguns pontos da doença.

Me coloco à disposição para quem queira tirar dúvidas sobre essa doença que tira a gente do sério.

Lembre-se: respira fundo, tenha calma e paciência, você vai se recuperar. E agradeça!

25 de Junho - Parabens para mim!

Dia 25 de junho, chegou a minha 32a primavera!

Ainda em tratamento com fototerapia, me mantendo no calmante natural ( pois entendi que muito da doença veio por um momento de extremo estresse e mal cuidado comigo mesma) e bastante hidratante. Já havia descamado todas as feridas, porém ficaram manchas de um tom rosa para amarronzado no meu corpo todo, elas duraram uns bons meses  (aproximadamente uns 4 meses).

Neste aniversário, decidi retornar a uma pessoa mais leve, mais feliz, tranquila. Decidida à mudar meu estilo de vida.

Entendi que o estresse no dia-a-dia nos enfraquece muito além do que imaginamos e escutamos. Deixa nossa imunidade baixa (mais ainda do que a minha já é sempre) e que o modo como eu estava levando tudo devia mudar. Eu fui atrás desta mudança.



Junho 2016 - Virando réptil e desapegando...

Comecei a fototerapia já no dia seguinte que me consultei na clínica especializada dentro de um hospital em Tel Aviv. Tinha que fazer 3 sessões por semana, iniciando com um total 15 sessões (à ser avaliado posteriormente para ver se eram necessárias mais sessões), onde a regra era que não podia fazer dois dias seguidos, tinha que dar 1 dia de intervalo entre sessões. E não podia também ficar muito tempo sem ir, pois o tratamento perde força assim. Mantive uma média de 3 sessões por semana.

O tratamento é gradativo, começa com uma intensidade x, por tempo y, e no fim do tratamento a intensidade e tempo multiplicam-se.

As coceiras, depois de umas 3 ou 4 sessões, diminuíram drasticamente, já não passava 24 horas do meu dia me coçando. Eu já estava bem mais tranquila devido ao calmante, mas ainda me coçava muito, e a fototerapia acelerou muito este processo.

Sou muito clara, creio que o tanto de Raio UVA que recebi serão extremamente prejudiciais para minha saúde, inclusive o dermatologista que me indicou o calmante não se mostrou muito à favor do tratamento com fototerapia, por conta da minha pigmentação, mas no meu estado de desespero com a coceira, eu não pensei nem duas vezes e não me arrependo nem por um segundo da decisão que tomei.
Estou informando isso porque se a sua coceira é tolerável e você tem um tom de pele bem claro como o meu, eu não indico o tratamento com fototerapia, pois ele é bem nocivo à pele, inclusive com a quantidade de raio UVA recebido 3x por semana que ia na clínica, eu não podia tomar mais nada de Sol na rua.

Depois de umas duas semanas em tratamento com a fototerapia, mantive o calmante dia sim dia não, a loção de zinco e muito hidratante. As feridas começaram a ficar bem secas, com uma camada branca se formando de pele escamando por cima delas, ainda bem rosas, porém com essa camada seca por cima.
Tão secas, que o tempo todo senti a pele puxando, esticando, e então compreendi como se sente um réptil.
Esse foi o momento que mais usei hidratante, passava no meio do trem, no trabalho, pois entendi que quando minha pele ficava seca, com as feridas secas, esse era o momento em que começava a coçar.

E assim fui seguindo, vencendo a doença.

Comecei a fazer o uso durante o banho de esfoliante, usava de vez em quando em cima das feridas para acelerar processo de descamação.Isso não sei se é bom ou ruim, mas eu não aguentava não fazê-lo, mas acho que talvez só hidratando seria o melhor a ser feito.

29 de maio - há luz no fim do túnel

Nos primeiros dias de tranquilizante natural, não posso dizer que a coceira passou, porém estar mais tranquila, relaxada e menos estressada pensando nela me fez tirar um pouco o foco do incômodo para outras coisas. Esse foi o primeiro ponto crucial para o tratamento. 
A loção de zinco ajudou muito a começar a secar as feridas todas, e neste dia 29 de maio tive minha consulta para iniciar o tratamento com Fototerapia. 

A junção dessas três coisas me fez vencer a pitiriase! Sem esquecer de sempre manter o hidratante corporal sem álcool e um bom sabonete hidratante também. Entendi que não havia nada além do que já estava fazendo que pudesse ser ainda mais efetivo.

Entendi que suar fazia as coceiras piorarem, e o ar-condicionado, que dava um pouco de alívio nas coceiras de momento, na verdade só piorava o processo todo, pois ele resseca demais a pele. Mas eu não tinha muita escolha. Da minha casa, vou até à estação de trem de bicicleta, de lá entro no trem com ar-condicionado por meia hora e do trem até o trabalho mais aproximadamente 10 minutos de bicicleta. O dia todo no ar, bem gelado, e retorno para casa. Por isso, o creme hidratante passou a andar na bolsa comigo, para cima e para baixo.

Resumindo: a primeira semana depois que me consultei com o médico que me receitou calmante e loção de zinco, consegui me manter mais calma, as coceiras ainda muito intensas, mas consegui raciocinar melhor e traçar um plano psicológico para conseguir me manter bem e forte durante o restante do processo.

Já na outra semana, iniciei o tratamento com a fototerapia.