A semana se seguiu. Basicamente, ia da casa para a empresa, da empresa para a casa. No ar condicionado, que antes parecia aliviar um pouco a coceira, na verdade estava piorando tudo. Notei que o ar ressecava minha pele, e mantê-la hidratada diminuia um pouco o desconforto. Ainda não tinha conseguido marcar a fototerapia, ficaram de me retornar com uma data mais proxima para eu marcar a primeira consulta.
Já havia recusado alguns convites: dois aniversários de pessoas queridas, uma cervejinha com uma amiga, primos distantes que estavam visitando minha cidade e eu não pude vê-los.
Era quinta-feira, dia 19 de maio de 2016 e eu resolvi que essa guerra eu não ia perder, estava decidida à combater com tudo. Uma amiga queria passar o fim de semana lá em casa e eu aproveitei a ocasião para tomar uma cervejinha com ela na quinta-feira. Quando ela me viu queria que eu fosse a um hospital, mas eu pedi que deixássemos o compromisso para o dia seguinte, para que eu pudesse curtir a cervejinha antes. Me bastaram duas longnecks e meu dia se transformou. consegui por algumas poucas horas, não me coçar freneticamente. Não que eu não estivesse me coçando, mas existe uma diferença entre a coceira que você controla e a que você não consegue controlar. Fomos para casa, contei ao meu marido que a decisão do momento era me manter bêbada, até a doença ir embora.
Não dormi bem de novo.
Ao acordar, com a coceira grau 15 (em escala de 0 a 10), meu marido já havia saído para trabalhar. Acordei a amiga e pedi desesperadamente que me levasse ao supermercado para comprar uma garrafa de vodka ou whisky. Minto. Pedi que ela me levasse ao hospital mesmo, Atendimento urgência.
No hospital ninguem parecia ter ouvido falar em Pitiriase Rosea. Até eu já sabia que depois de um tubo de pomada Fenergan e a tal da pomada com cortisona (ou corticoide que continuo não me recordando qual delas é) não eram tão amigas assim da doença. Mas naquele momento de desespero, o que eu mais aguardava era alguem para tirar aquela coceira que àquele corpo não pertencia.
Me deram logo uma dose reforçada na veia de Fenergan e a tal cortisona/corticoide.
Uma hora em observação e coceira grau 7 (de 0 a 10)!!! Era uma mulher feliz novamente, podia andar em passo um pouco mais rápido do que de uma tartaruga.
Já havia decretado fim de guerra.
Cheguei em casa, grau 5 de coceira, até o fim do dia, grau 4.
Até assisti educadamente ao lado da amiga e do marido um filme sem me desesperar de coçar. Foi muito bom!
Mas dizem que felicidade de pobre não por muito tempo...
Em menos de 24 horas a coceira voltou no seu grau 15 de sempre, e eu queria matar a Pitiriase. Chorei como criança novamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Dúvidas? Comentários à respeito da doença? Deixe seu recado aqui.